sexta-feira, dezembro 15, 2006

FIM





Já se passaram horas e ele não acordou.
Já se passaram dias e ele não se levantou.
Caiu vencido pelo tempo, feito folha seca ao vento.
Cumpriu corajosamente a sua sina, até se encerrar o momento.
Agora é apenas um corpo sem vida, más sempre presente; nas horas, nos dias, ao vento na lembrança do momento.








Emerson de Almeida Rosa.
29/09/2005

Nascido na Guerra

Nascido na Guerra





Como posso dizer, ou escrever, coisas alegres. Se nasci e me criei em meio a tristeza.
Não culpem o meu semblante carregado, não sou mal, é só a alma refletida na carne; os horrores que vi quando menino, ainda são presentes, nos meus sonhos de adulto.
As cicatrizes além do corpo, tomaram conta dos sonhos, dos pesadelos, do coração.
A Guerra ficou cravada em mim, feito aço empalado na rocha.








Emerson de Almeida Rosa

26/05/2004
Só um sonho.
No sonho eu ouvia o desabafo, de um sobrevivente da Guerra




BEM E MAL

Bem e Mal



O bem e o mal travaram uma batalha sem limites
Romperam as fronteiras, espalharam-se por toda a Terra
Nasce então o que se chama de guerra
O bem e o mal
Um é a cura, o outro a ferida
Um acerta, e o outro erra
Um nasce, o outro morre
Enquanto um se inicia, o outro se encerra
Um trás calmaria e emulação
O outro descaso, suplício das almas vis da Terra
Bem e mal
Paz e guerra
Encerra a Terra, a guerra






Emerson de Almeida Rosa.
26/05/2004

quinta-feira, dezembro 14, 2006

NHÔ CESÁRIO

Nhô Cesário


Nhô Cesáro um homem muito humilde, respeitador e de grande educação.
Um sertanejo sofrido, calejado pelo tempo, e dono de bondoso coração.
Desde cedo na lida, a gleba fecunda e a pastagem nativa, seu unico meio de ganhar o pão. As mãos calejadas, aravam a terra, semeavam o trigo, arroz e o feijão.
Sua feição rude não lhe impedia de tratar com apreço e carinho a criação.
Conhecia muito pouco da vida na cidade, com quarenta anos viu pela primeira vez uma televisão. Não entendia como, dentro de caixa tão pequena cabia gente, casas, carro e caminhão. Depois que descobriu, como tal aparelho funcionava, sorriu e disse; que baita confusão.
Um belo dia Nhô Cesário tomou um decisão, a de dar um passeio na cidade e essa foi a sua direção.
Chegando na cidade meio desconfiado, em tudo prestava atenção. Então resolveu e subiu num ônibus que por ele passava, e no qual logo foi arrumando acomodação, sentou-se numa posição privilegiada, tudo lhe causava admiração.
Em uma das paradas do ônibus, subiu uma moça, a qual lhe chamou a atenção. Deduziu ele que a moça tinha um problema, foi ai que tomou a decisão.
Com um gesto cumprimentou a moça, e logo foi lhe dando explicação; disse lhe que havia um bicho estranho em suas costas, bicho de feia feição. Pediu para que ela não se movesse, porque certo ele não estava, se o bicho era de veneno ou sem intenção.
A pobre moça, ficou imóvel, trêmula sem reação. Nhô Cesário botou reparo no bicho e chegou a conclusão, segundo ele o animal já havia entrado de baixo da pele da moça, não tinha mais jeito não.
Ouvindo aquela explicação, a moça deu um sorriso de alivio, depois riu da situação. Explicou à Nhô Cesário, que não se tratava de um bicho de verdade, e sim de uma tatuagem feita por artesão.
Nhô Cesário coçou a cabeça, e pensando alto achou solução, é , disse ele, isso é coisa da cidade, não existe no sertão é mais um segredo da cidade igual a televisão.







Emerson de Almeida Rosa.
12/04/2002

quarta-feira, dezembro 13, 2006

JOÃO DE MARIA

João de Maria


Era noite, uma noite tão bela que há muito não se via. Os cavalos tinham sido recolhidos à cocheira e o bule de café, estava ansioso sobre a pia.
Seu Antônio estava sentado num banquinho na entrada da sala, contando casos, como sempre fazia. O menino Pedro já cansado ao final da lida, dedilhava sua viola, que em outra hora num canto adormecia. Lá fora a grandiosa lua, enfeitada com seu colar de brilhantes, fazia a noite parecer dia.
Em uma das cocheiras da fazenda, encontrava-se recolhido um cavalo negro, pérfido o qual atendia pelo nome de fantasia; fantasia era um desses cavalos de extrema rebeldia, não aceitava rédeas nem tralha, um devaneio sua montaria.
João um menino curioso e inteligente, sobrinho de seu Antônio e filho de dona Maria, ainda não havia dado o ar de sua graça, seu paradeiro se desconhecia. Lá pelas tantas se ouve o relinchar nervoso de um cavalo, e era o mais nervoso deles: fantasia.
Num salto seu Antônio atravessou toda a casa, Pedro deixou o que fazia, correram em direção da cocheira, más já era tarde. João saíra em disparada montado em fantasia.
Um clima de incerteza dominava, todos perguntavam más ninguém respondia, de que forma o lépido más franzino João, havia conseguido encilhar cavalo com tamanha rebeldia.
A procura começou naquela noite, e durou mais três noites e três dias. Pareciam inválidos os pedidos de seu Antônio, para encontrar o menino, não funcionará sua simpatia e os anjos pareciam não ouvir a reza de Maria.
Anos se passaram, João ainda era aguardado por Maria. A porteira da cocheira sempre aberta ao retorno de fantasia: más o mistério teimoso que só, nada mostrava só escondia, a severa criação e o filho de Maria.
Hoje em noite que a lua, coberta por seus brilhantes e beleza sem igual irradia. Muitos dizem ouvir o relincho de um cavalo, que imaginam ser fantasia. Alguns afirmaram terem visto, um menino em montaria, cortando a invernada feito ventania. Talvez seja o agora peão João de maria.




Emerson de Almeida Rosa
12/04/2002

FLORES EM FOLHAS

Flores em folhas


Escreverei um poema
Um poema de minha vida
Deixarei, flores espalhadas em folhas, flores a serem lidas

Serei maestro de meu tempo
Falarei de alegria, más também deixarei expostas as feridas
Aquele que reclamar da sorte, tomará consciência do quão bela foi sua vida

Falarei de amores conquistados, de paixões perdidas
Serei abrogador da maldade
Serei abraço nas despedidas
Falarei de morte
falarei de vida





Emerson de Almeida Rosa
Um sonho 1990

terça-feira, dezembro 12, 2006

Anjo

Anjo




Primeiro o anjo, depois as flores, ou será que primeiro as flores e depois o anjo.
Na verdade não importa.
O que importa, é que ambos ficam tão felizes quanto eu, ao ganhar um sorriso teu.







Emerson de Almeida Rosa.
12/10/2003

O meu cavalo

O meu cavalo



O meu cavalo.
O meu cavalo é lindo, altivo, formoso, de trote imponente majestoso.
A sua pelagem é negra, de um brilho desigual, macia aveludada, de rara beleza fenomenal. Não é porque é meu esse cavalo, más ligeiro como ele não achei, nunca vi nem hei de ver nada igual.
Não é animal de cabresto, sua sina é cavalgar livre pelas planícies, lançando-se em galope voluptuoso, pairando no ar em desafio aos pássaros, fazendo do riacho seu repouso.
Como é lindo o meu cavalo, doce delicado, amoroso.
Encantado, alado e eu seu dono, um bamburrista de coração em eterno gozo.
O meu cavalo é guardado, a sete chaves, num cantinho chamado imaginação.
Como posso tratar tal cavalo, se sinto fome e não tenho pão.
Como posso ser dono de rara beleza, na qual nunca toquei a mão.
A pobreza me maltratou, me fez menino descalço, e não patrão.
Porém meu cavalo, pasta tranqüilo em meu pensamento é trote sempre presente em meu coração.
Como é lindo o meu cavalo.
Como é bela a minha criação.





Emerson de Almeida Rosa
11/02/02

À CORA

À Cora.



Um olhar puro, doce, carregado de conhecimento e humildade
Um olhar tão puro, como a água que corre das colinas
Água pura,
Água cristalina

Esse olhar só se encontra, num ser, uma doce menina
Cora a doce Cora Coralina







Emerson de Almeida Rosa
1990

GUERRA

Guerra


Milhares de vidas
Milhões de flores
Que vida florida
Que campo repleto de flores

Então, vem a Gerra


Guerra que ceifa vidas
Pestífero que mata flores
Milhare de vidas perdidas

Chão árido sem flores, profundas feridas

Desamores
Dissabores
Flor sem vida
Vida sem flores





Emerson de Almeida Rosa
12/10/2003




segunda-feira, dezembro 04, 2006

Inocência

Inocência

Criança doce esperança
Caminho de luz
Que doce lembrança
Curiosa inocência
Pureza sem arrogancia


Brinca de roda, e na árvore balança
Brinca de ser grande e mesmo assim a malícia não lhe alcança
Como são doces esses pequenos
Como são lindas, as minhas crianças


Como são tão vivas em minha memória, as doces brincadeiras da infancia,
generosa, calorosa e inocente
Como a alma da criança



Emerson de Almeida Rosa
13/10/2003






Eu


Decidi escrever para afastar o tédio
Que nos aprisiona num prédio
Que gera desgosto e depressão
Resolvi das grades escapar da mesmice me desvencilhar
Resolvi brincar de poeta e versos contar

Se são alegres os versos meus, então é pra chorar
Se são tristes é hora de gargalhar, brincando de poeta ganho o direito de delirar
O lamento de lado deixar, sonhar, descansar e historias contar.


Emerson de Almeida Rosa.
13/10/2003