quarta-feira, dezembro 13, 2006

JOÃO DE MARIA

João de Maria


Era noite, uma noite tão bela que há muito não se via. Os cavalos tinham sido recolhidos à cocheira e o bule de café, estava ansioso sobre a pia.
Seu Antônio estava sentado num banquinho na entrada da sala, contando casos, como sempre fazia. O menino Pedro já cansado ao final da lida, dedilhava sua viola, que em outra hora num canto adormecia. Lá fora a grandiosa lua, enfeitada com seu colar de brilhantes, fazia a noite parecer dia.
Em uma das cocheiras da fazenda, encontrava-se recolhido um cavalo negro, pérfido o qual atendia pelo nome de fantasia; fantasia era um desses cavalos de extrema rebeldia, não aceitava rédeas nem tralha, um devaneio sua montaria.
João um menino curioso e inteligente, sobrinho de seu Antônio e filho de dona Maria, ainda não havia dado o ar de sua graça, seu paradeiro se desconhecia. Lá pelas tantas se ouve o relinchar nervoso de um cavalo, e era o mais nervoso deles: fantasia.
Num salto seu Antônio atravessou toda a casa, Pedro deixou o que fazia, correram em direção da cocheira, más já era tarde. João saíra em disparada montado em fantasia.
Um clima de incerteza dominava, todos perguntavam más ninguém respondia, de que forma o lépido más franzino João, havia conseguido encilhar cavalo com tamanha rebeldia.
A procura começou naquela noite, e durou mais três noites e três dias. Pareciam inválidos os pedidos de seu Antônio, para encontrar o menino, não funcionará sua simpatia e os anjos pareciam não ouvir a reza de Maria.
Anos se passaram, João ainda era aguardado por Maria. A porteira da cocheira sempre aberta ao retorno de fantasia: más o mistério teimoso que só, nada mostrava só escondia, a severa criação e o filho de Maria.
Hoje em noite que a lua, coberta por seus brilhantes e beleza sem igual irradia. Muitos dizem ouvir o relincho de um cavalo, que imaginam ser fantasia. Alguns afirmaram terem visto, um menino em montaria, cortando a invernada feito ventania. Talvez seja o agora peão João de maria.




Emerson de Almeida Rosa
12/04/2002